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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Filosofia e Mercado de trabalho

FILOSOFIA E ÁREAS DE EMPREGABILIDADE

José Aristides da Silva Gamito

O Ensino Médio em Minas Gerais ampliou sua grade curricular e oferece agora disciplinas de áreas de empregabilidade: Empreendedorismo e Gestão, Turismo e Tecnologia da Informação. Cito estas porque são as áreas adotadas pela escola onde estou trabalhando. Se um aluno do Ensino Médio perguntasse ao professor de filosofia em que esta disciplina pode contribuir para as áreas de empregabilidade, o que diríamos?
A filosofia procura pensar o mundo, estabelecer seus significados, compreender os sentidos e as relações estabelecidas entre as pessoas no mundo. Ela trabalha especificamente sobre o poder das ideias. Por isso, uma pessoa que se insere no mercado de trabalho para permanecer e obter sucesso precisa ter ideias persuasivas. Esta é a linguagem do mercado.
Muitos conhecimentos de filosofia são importantíssimos para as áreas de empregabilidade: Noções de estética (beleza, sensação, impactos das ideias sobre os sentidos), ética (valores e credibilidade), argumentação lógica (poder de persuasão), interpretação do discurso (as faces veladas da comunicação), relações de trabalho (organização), economia e sociedade.  Um bom empreendedor deve ter conhecimentos de Karl Marx, Friedrich Nietzsche, Freud, filósofos da Escola de Frankfurt, Wittgenstein, Habermas e outros.

Atualmente existe uma área específica de atuação da filosofia nas empresas: a filosofia organizacional. É uma especialização do filósofo para trabalhar as ideias, o conceito, a missão da empresa.  Além disso, há muitas obras de filosofia atualmente escritas neste sentido. O professor Mario Sérgio Cortella escreveu, por exemplo, o livro “Qual é a tua obra?”, endereçado a empreendedores e empresários. A filosofia, portanto, pode se tornar um meio de capacitação para o futuro empreendedor por causa da possibilidade de dar-lhe maior poder de lidar com as ideias, com o convencimento, com a capacidade de liderar e de organizar as relações, as escolhas de um grupo. Aposte nisso! 

sábado, 8 de junho de 2013

Atividades I

Atividades de interpretação da “Carta sobre a Felicidade” de Epicuro



1.    Cite o trecho em que o filósofo Epicuro afirma que não há limite de idade para estudar a filosofia.

2.    Neste trecho, podemos concluir que a dedicação à filosofia se identifica com: a) Juventude. b) Ciência. c) Felicidade. d) Ensinamento.

3.    De acordo com Epicuro, todas as afirmações abaixo representam visões que as pessoas têm da divindade, exceto:
a)    A divindade causa maiores males aos maus e maiores benefícios aos bons.
b)    A divindade é imortal e bem-aventurada, portanto, os homens não podem pensar delas coisas que são incompatíveis com estas qualidades.
c)    A divindade causa temor aos homens.

4.  Qual relação entre o homem e a morte? Há razões para temer a sua chegada?

5.  Segundo a “Carta sobre a Felicidade”, devemos separar os desejos naturais dos desejos inúteis. Em que consiste a finalidade dessas escolhas e de todas as nossas ações?

6.  “O prazer é o início e o fim de uma vida feliz”. Com base na Carta explique o significado da afirmação.

7.  É correto afirmar com base na filosofia de Epicuro que devemos evitar toda dor e buscar toda forma de prazer?

8.  Cite o trecho que comprova o real significado que Epicuro dá à palavra prazer.

Roteiro para leitura do texto:
1.    Numere os parágrafos.
2.    Destaque a ideia principal de cada parágrafo (Use marcador de texto).
3.    Aliste as palavras que aparecem mais vezes no texto, separe-as como palavras-chave.
4.    Por último, responda as questões propostas pelo professor, adquirindo assim uma compreensão global do texto.
5.    Faça uma síntese para fixar a mensagem do texto.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Epicuro e a Carta a Meneceu

A Felicidade em Epicuro

A amizade era uma atitude muito valorizada por Epicuro.

A felicidade foi um tema caro a quase todos os filósofos da antiguidade, abaixo introduzimos algumas reflexões sobre o assunto a partir de Epicuro.

I - Questionamentos introdutórios:

1 – Você se considera feliz? Quais foram as maiores conquistas de sua vida?
2 – Quais as suas maiores perdas e quais são seus maiores medos?
3 – Você tem medo do sofrimento, de ser vítima de uma tragédia?
4 - O que é felicidade? E como podemos ser felizes?

II - Principais questões discutidas na “Carta sobre a Felicidade”:

1º A felicidade é identificada como a busca da felicidade.
2º As pessoas têm uma imagem falsa dos deuses, atribuem a eles qualidades incompatíveis com a condição de felicidade e de imortal em que eles se encontram.
3º Não há razões para temer a morte porque é aniquilação de toda sensação. A consciência clara de que a morte não é uma ameaça proporciona aproveitar a vida passageira sem o desejo de imortalidade.
4º O futuro é incerto e não devemos nos desesperar com se o mal possível já posse um fato.
5º Há desejos naturais e desejos inúteis e outros que não são naturais e nem necessários.
6º Praticamos as nossas ações para nos afastarmos da dor e do medo.
7º O prazer é o bem primeiro e inerente ao ser humano. O critério de nossas escolhas é a distinção entre dor e prazer.
8º Selecionamos os prazeres segundo seus efeitos se são agradáveis ou desagradáveis.
9º A autossuficiência nos ajuda a contentar com o pouco quando não podemos ter o muito.
10º Por prazer Epicuro entende a ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma.
11º Não existe vida feliz sem as virtudes da prudência, da beleza e da justiça.

12º A sorte não distribui para alguns benefícios e para outros malefícios, dela podem advir grandes bens e grandes males.

Documentário: Epicuro e a Felicidade.
Apresentação: Alan de Botton.

1ª Parte:

2ª Parte:

3ª Parte:


domingo, 2 de junho de 2013

Filosofia e a condição humana

A tragédia na filosofia e o conceito de amor fati

Apesar de haver caminhos para a superação dos medos da vida, o medo da tragédia preocupa todo mundo. Acidentes, crimes e doenças alteram algumas vidas profundamente. O maior desafio de quem experimenta um sofrimento extremo é a reconstrução do sentido. Como fazer continuar valendo a pena a vida de diante condições limitadoras?
Como prevenção para as ciladas da vida, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche introduz um conceito muito importante, o amor fati (amor ao destino).  

Amor fati: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim! (NIETSCHE, Aurora, § 276).

O amor fati significa amar o inevitável, amar o destino, amar o justo e o injusto, o amor e o desamor. Em outras palavras, a saída mais positiva para conviver com as adversidades é não reclamar da vida. Sabemos que esta postura não é fácil de ser assumida, torna-se possível somente quando se compreende que podemos dar sentido à vida em qualquer situação e que a solução mais honesta é aceitar o imutável e plantar a partir dele nosso modo de viver.

Minha fórmula para a grandeza no homem é amor fati: nada querer diferente, seja para trás, seja para frente, seja em toda a eternidade. Não apenas suportar o necessário, menos ainda ocultá-lo (...) mas amá-lo...” (NIETZSCHE, Ecce homo, § 10).

A aceitação do inevitável é a descoberta de que quem pode dar sentido à nossa vida somos nós mesmos, não temos que esperar uma intervenção alheia. Tendo em vista uma compreensão completa deste conceito é preciso advertir que não se trata de conformismo. A tragédia é justificada pela sabedoria como ‘tinha de ser assim’, o melhor seria dizer ‘tornou-se assim’. Então, se é inevitável vamos dar à vida um novo sentido. É uma decisão que requer coragem!
Na antiguidade, os filósofos estoicos ensinavam que através do autocontrole é possível superar essas emoções destrutivas. Nesta corrente filosófica aconselha-se a indiferença em relação às coisas externas. O homem não deve se deixar escravizar pelas paixões, antes deve viver conforme a lei racional da natureza. Esta indiferença ajudaria a superar as tragédias!

Para pesquisar
Amor fati: Amor ao destino. Expressão latina.
Estoicismo: Escola de filosofia fundada por Zenão de Cítio cujo princípio norteador é a proposta de se viver segundo a lei racional da natureza.
Friedrich Nietzsche: Filósofo alemão, viveu de 1844 a 1900.
Zenão de Cítio: Filósofo grego, viveu de 333 a. C a 263 

sábado, 1 de junho de 2013

O problema da finitude e do sofrimento

A consciência da mortalidade como condição para bem viver

A vida é repleta de incertezas, de condições que amedrontam o ser humano.  Muita gente nunca parou para se perguntar metodicamente a respeito do sentido do sofrimento e da morte, mas todos já se sentiram angustiados diante da possibilidade de uma doença longa, dolorosa e terminal.
Além dos males físicos, as pessoas temem a perda da motivação de viver.  Diante das preocupações que mais atormentam as pessoas, podemos buscar na antiguidade a perspectiva de filósofos que se ocuparam do problema da felicidade.
Epicuro identificou os quatros maiores medos do homem e seus antídotos. A lista ficou conhecida como tetrafármaco (quatro remédios).  Os quatros remédios de Epicuro são: 1º - Não há razão para temer os deuses; 2º - Não há porque se preocupar com a morte; 3º - O bem é coisa fácil de conseguir e 4º - O sofrimento é fácil de suportar (PESCE, 1981).
Os gregos antigos acreditavam numa infinidade de deuses e viviam atormentados pelo medo de desagradar os deuses ou serem punidos por eles.  Epicuro aconselha que não deve se temer os deus porque eles não intervêm no mundo. Era pensamento comum que os deuses tinham uma constituição psicológica semelhante ao ser humano.
Epicuro afirmava: “Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações.” Se o temor de sofrer está nas nossas sensações e emoções, a morte pelo menos é o fim desta possibilidade de sofrer. E, além disso, nós nunca seremos simultâneos à morte. Não há que temer aquele evento que quando acontece anula qualquer sofrimento.
O prazer é identificado na filosofia de Epicuro como o fim da vida feliz.  Portanto, a busca do bem passa por se livrar das perturbações e dos males.  O prazer deve ser escolhido entre aqueles naturais e necessários. A fama, o sucesso e o enriquecimento são tidos como bens não-necessários.
Não há que temer o sofrimento por que o ele é leve, passageiro, portanto, suportável; ou é intenso, insuportável, levando à morte. De qualquer não há sofrimento perene. Ele é suportável. Na “Carta sobre a Felicidade”, Epicuro conclui que quem enfrenta estes medos, vive como um imortal.

1. Sugestão de leitura:
“Carta sobre a Felicidade”, de Epicuro.
2. Termos para pesquisa:
EPICURISMO: É um sistema filosófico que ensina a busca moderada dos prazeres para atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo.
EPICURO DE SAMOS: Filósofo grego que viveu de 341 a 271 a. C.


CARTA A MENECEU

Acesse o texto: Carta a Meneceu.pdf

Razões para filosofar

O que é filosofia? A contribuição da filosofia para a educação do homem

Sempre quando falamos de filosofia para pessoas que são de outras áreas ou somente estudantes que estão tendo o primeiro contato com a disciplina, há sempre uma indagação sobre sua utilidade. Vivemos em um mundo onde se pergunta sobre a utilidade de tudo. Além de uma “utilidade” a filosofia tem um sentido, um objetivo. Luc Ferry no livro “Aprender a Viver: Filosofia para os novos tempos” argumenta que todos deveriam aprender filosofia por dois motivos. Primeiro, a nossa compreensão mais profunda do mundo depende dela e a maioria de nossas ideias e opções sobre uma posição ou outra já foram pensadas e estruturadas por filósofos ao longo da história.
Segundo, além da compreensão do mundo a filosofia nos ajuda na autocompreensão. A filosofia nos ajudaria a vencer os medos que paralisam a vida como o medo da morte e da perda de sentido da vida. Portanto, o estudo da filosofia é um convite para superar a banalidade da vida cotidiana.
A finitude humana e a possibilidade da morte são realidades que afetam todo ser humano. Epicuro (341-270 a. C.) considerava a filosofia como a “medicina da alma”. Assim como a religião busca a salvação, a filosofia busca a compreensão do sentido da existência, do significado da existência. É também um caminho de busca de salvação, isto é, salvação do perigo que o homem corre de ser tragado pela banalidade, pela falta de sentido.
Luc Ferry identifica três dimensões da filosofia. Primeiro, a busca da compreensão do que é, do que existe (a teoria). Segundo, o aperfeiçoamento das relações interpessoais, a busca da justiça (a ética) e a busca pela salvação, pelo sentido da vida (a sabedoria). Se nós estamos no mundo por um breve espaço de tempo, deveremos, portanto, interrogar sobre como devemos vivê-lo da melhor maneira possível.
As três tarefas identificadas pelo autor de “Aprender a Viver” passam por esta preocupação em qualificar o breve tempo de vida de cada mortal: Compreender o que existe, o mundo; buscar a justiça tornando nossas relações interpessoais melhores e benéficas para todos; e por fim, a busca pela compreensão ou construção do sentido, das razões da existência.

Leitura Recomendada:
FERRY, Luc. Aprender a viver: Filosofia para os novos tempos. Rio: Objetiva, 2010.
 

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